O encontro é fundante do humano: o sujeito não é dado, ele se produz na relação com o outro.
Aquilo que somos não nasce pronto, mas se constrói no “entre”: no espaço vivo onde a presença do outro nos convoca, nos desloca e nos transforma. Como lembra Paulo Freire, é no diálogo que nos tornamos humanos.
Não basta apenas estar junto. Encontrar o outro é se deixar afetar, é confrontar nossos próprios limites, contradições e zonas do não saber. O medo do encontro nasce, em parte, do que ele exige: exposição.
As polarizações se alimentam desse medo. Em vez de sustentar a complexidade do encontro, reduzimos o outro a categorias fixas, simplificadas, muitas vezes caricaturais.
Ao mesmo tempo, a perda do espaço comum, o medo de crimes, ruas feitas para os carros, e uma suporta falta de tempo, empobrecem nossas formas de convivência.
Quanto menos nos encontramos de fato, mais fácil se torna transformar o outro em ameaça e mais difícil se torna sustentar o encontro quando ele finalmente acontece.
É assim que evitamos os riscos… e também as possibilidades.
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