Não é fácil ter a coragem de encontrar com um outro diferente, nem criar a coragem de ouvi-lo. A opressão tenta convencer as pessoas que não merecem ser ouvidos, não merecem falar.
Ouvir o outro de verdade pode colocar em dúvida aquilo que acreditamos. Para muitas pessoas, isso parece uma ameaça: se a visão do outro fizer sentido, talvez eu precise rever certezas, privilégios ou o meu próprio lugar no mundo.
Conhecer uma cultura diferente pode ser desconfortável no começo: um ritmo que o corpo não acompanha de primeira, uma palavra que soa estranha, um sabor novo, um costume que causa estranhamento: coisas que simplesmente pedem mais tempo.
Mas tem beleza nisso. No contato com outras formas de viver, a gente percebe que o mundo não é só do jeito que aprendeu. E isso não diminui o que somos. Amplia o que somos! Faz caber mais coisa, mais jeito, mais possibilidades. Às vezes, só de estar ali, vendo e escutando, alguma coisa já muda.
O encontro, quando acontece de verdade, abre espaço para o encanto.
Desde o surgimento da humanidade e a chegada da Cobra-Canoa, que trouxe os seres humanos para Amazonas, o pai do universo deu um dom para cada um que saiu da Canoa. Cada um recebeu algo para lhe ajuda, para viver em felicidade e beleza. Para estar juntos, para viver..unidos. — Casimiro Sampaio: pajé da comunidade Balaio, AM.
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